O Lada vira o Jogo: de “pior Carro” a ícone colecionável
Antes ridicularizado, Lada está conquistando o panteão dos carros clássicos
Antes ridicularizado, Lada está conquistando o panteão dos carros clássicos

Um exemplar do humilde sedã soviético, comprado por £50, agora vale £2.000, impulsionado pela nostalgia e pela demanda do Leste Europeu.
Esqueça a imagem tradicional de um carro clássico — os brilhos de Ferrari, Lamborghini ou Jaguar. No coração da paisagem automobilística da Inglaterra, um herói improvável está acelerando em direção ao status de ícone: o Lada Riva. Este compacto russo, frequentemente citado em listas de “piores carros de todos os tempos”, está desafiando as expectativas e se tornando um cobiçado item de colecionador.
Ed Hughes, um escritor de 45 anos da revista Practical Classics, é o fervoroso embaixador dessa reviravolta. Ele não apenas dirige, mas possui cinco Ladas em sua coleção de “iguarias automobilísticas do Leste Europeu”. O seu Riva de 1994, com 129 mil quilômetros no odômetro, foi comprado por £50 há 14 anos. Hoje, o mesmo veículo é avaliado em ‘impressionantes’ £2.000, cerca de R$ 12.300,00.
“Não há nada parecido nas ruas. Eles se tornaram um ícone de estilo.”, diz Ed Hughes sobre o apelo do Lada Riva.
Apesar do ceticismo, o Lada Riva preenche os requisitos para um clássico: é um carro antigo, fora de produção, e com interesse suficiente para ser considerado colecionável. O valor em ascensão reflete uma tendência mais ampla no mercado global de carros clássicos, onde modelos antes considerados “prosaicos” ou comuns estão sendo reavaliados.
Hughes aponta dois fatores-chave para o súbito aumento de valor e popularidade do Lada:
Hughes, cuja coleção também inclui modelos como Wartburgs, Trabants e um Moskvich, afirma que a propriedade de tais veículos exige mais “habilidade, cuidado e outras coisas” do que simplesmente comprar uma Ferrari vintage com “um cheque suficientemente grande”.
O jornalista automotivo Dave Richards confirma que a valorização de carros comuns não é um fenômeno exclusivo do Leste Europeu. Modelos como o Ford Cortina, Capri, o Mini original e até mesmo o Austin Maxi estão em alta demanda.
“Muitos desses carros estão praticamente extintos hoje em dia… essa oferta limitada significa que os preços estão subindo cada vez mais,” explica Richards. Ele adverte, no entanto, que a compra de qualquer clássico — seja um Lada ou uma Ferrari — requer cautela e aconselhamento especializado de clubes de carros.
Para muitos, a atração é puramente sentimental. No mesmo ano em que o aclamado Ford Escort 1850GT venceu o rali Londres-México em 1970 (hoje avaliado em £500.000), Bronwyn Burrell competia como copiloto em um Austin Maxi. Após 47 anos, ela está pilotando o mesmo Maxi no rali de carros clássicos de Londres a Lisboa, revivendo sua juventude.
Seja impulsionado pela nostalgia, pela estética retrô ou pela pura escassez, o humilde Lada Riva provou que não é apenas um sobrevivente, mas um bem de investimento e um verdadeiro ícone cultural. O “pior carro” se tornou, para muitos, o melhor clássico a se ter.
A história do Lada Riva como um “clássico humilde” reflete uma tendência forte no mercado de colecionadores: a busca por veículos que, embora fossem comuns ou até ridicularizados em sua época, agora carregam uma carga de nostalgia, história ou escassez.
Muitos desses carros, conhecidos como sleepers (carros com visual pacato e desempenho ou potencial surpreendente) ou simplesmente “clássicos do dia a dia”, estão oferecendo ótimas oportunidades de investimento antes que seus preços disparem.
Aqui estão alguns modelos que se encaixam nesse perfil, focando em exemplos nacionais e internacionais que estão ganhando status de colecionáveis:
Assim como o Lada, outros carros “de baixo custo” ou “de dia a dia” de décadas passadas estão se tornando tesouros:
Por que valorizam: eram os carros familiares e cupês acessíveis dos anos 60 e 70 na Grã-Bretanha. Sua escassez atual nas ruas e a forte nostalgia entre os entusiastas levaram os preços a disparar, como mencionado na sua notícia original.
Por que valoriza: símbolos de simplicidade, design e mecânica robusta. Embora o Fusca tenha preços que variam muito, os modelos mais antigos, raros (como o “Pé de Boi”) ou séries especiais estão em constante valorização. O 2CV sempre foi um carro cult e continua procurado.
Por que valoriza: um exemplo mais moderno. O primeiro A3, especialmente nas versões com motor 1.8 Turbo, está atingindo a idade de colecionável (youngtimer). Embora fosse um carro popular, as unidades bem cuidadas e com motores robustos são vistas como um futuro clássico acessível.
Para investir nesses carros antes que os preços subam demais, o segredo é focar em unidades originais, bem conservadas e com histórico de manutenção conhecido. Versões de série especial, de despedida (como a Kombi Last Edition) ou as menos vendidas (como o Chevette 4 portas) também tendem a ter uma valorização mais rápida devido à sua raridade.
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